Cantora, compositora e multi-instrumentista, inaugura um novo estilo em world music : a fusão entre a MPB e as tradições musicais do oriente.

Suas inovadoras letras falam de espiritualidade e busca interior, seus temas são o homem, a natureza e o sagrado, suas melodias nascem das escalas clássicas orientais – ragas e maqans. Acompanhada por um autêntico violão bossa nova e com influencia do jazz, suas harmonias são bases de improvisação. As fusões incluem instrumentos afro-brasileiros, tradicionais e orientais, reunindo viola mineira com santur da pérsia, guitarra e tampura, sitar indiano, sax e flautas, tabla, pakawaj e gamelon, lado a lado com atabaques, congas, pandeiros, tamborins e triângulos, criando novos ritmos – além da presença dos samplers da música eletrônica.

“Acredito ser possível fazer MPB integrando os aspectos da devoção e do êxtase tão presentes nas artes do povos orientais; assim  minha música vai do dançante ao meditativo, sempre com poesias elaboradas, que aguçam a consciência do ouvinte, transportando-o para a elevação e o prazer”, diz Ana Rita. E completa:

“Minha intenção é resgatar nossas raízes : a influência da música árabe no mundo ibérico, a sonoridade trazida pelos ciganos da índia, a poesia dos viajantes místicos, e a herança dos escravos negros muçulmanos, recriando no brasil uma essência de world music que sempre lhe pertenceu, combinando música acústica e eletrônica”.

Ana Rita Simonka é pesquisadora, com Mestrado em Ciências da Comunicação pela USP. “Os Cantores da Noite” é um trabalho que nos mostra a vida dos cantores e compositores que criam e desenvolvem a música popular brasileira, representando uma arte autêntica e intuitiva. Esse tema reflete as influências musicais de Ana Rita Simonka : ela tomou contato com essa escola tradicional quando tinha onze anos de idade, e ainda criança, tocava chorinho ao lado de seus professores, nomes consagrados como maestro Benedito Costa e Toninho Neto. Estudou violão e percussão, com nomes como Papete, Muri Costa, Trio Mocotó, Jorge Costa e Carioca, e outros músicos que freqüentavam sua casa para saraus. Mais tarde ela abraçou o estilo Bossa Nova, dedicando-se ao violão clássico e ao estudo do jazz, começando sua carreira tocando em barzinhos e dando aulas de violão.

Uma curiosidade sobre Ana Rita Simonka é que ela é filha de um renomado professor de Tango e Dança de Salão, e seu contato com a dança iniciou-se em casa. Com o passar do tempo pai e filha formaram uma brilhante dupla, fazendo apresentações e dando cursos. Todas essas experiências deram à artista bases para explorar uma grande diversidade de estilos em música e dança popular, mas contudo, ela jamais abandonou suas raízes.

A outra grande vivência de Ana Rita Simonka refere-se ao seu interesse sobre Artes Orientais. Ela descobriu a música árabe e desenvolveu verdadeira paixão pela danças árabes – gênero que ensinou por doze anos - e nesse percurso, introduziu a prática do Yoga em sua vida através do prof. Marcos Rojo (USP). Assim, nos últimos quinze anos, ela tem se dedicado a pesquisar as bases sagradas da arte e da civilização. Esse caminho fez mudar seu ponto de vista sobre o que é arte – e como ensiná-la. Custeando suas próprias pesquisas, viajou diversas vezes à Índia, onde estudou dança clássica no Mahatma Gandhi Mission – Aurangabad. No Brasil, estudou música indiana com Ratnabali Adhikari e árabe com Dalga Larrondo.

Como professora, Ana Rita Simonka lembra sempre a seus alunos que arte é um conceito que cria uma nova forma de experiência, nos convidando a alargar nossa consciência corporal e meditação. Há dois anos ela criou o estúdio “Arte Símbolo”, para promover intercâmbios, fusões culturais e cursos holísticos em dança, música e artes visuais, tendo produzido os álbuns “Bossa Nova Delhi”  e “Mantra”.

Arte Símbolo - Música, Dança e Imagem - Criação e Pesquisa